CULTURAL CENTER + MUSIC SCHOOL
COMPETITION - CANCELLED
MARRAZES - LEIRIA - PORTUGAL
2010

Considerações Iniciais
A zona onde se vai inserir o Centro Cultural de Marrazes (CCM) é aquilo que habitualmente designamos como área urbana em transformação. Predominam edifícios de habitação, apesar de existirem outras tipologias, com uma densidade não muito intensa. Algumas operações urbanísticas recentes - loteamentos, construção de novos arruamentos e espaços de articulação - são indicadores da dinâmica enunciada. Morfologicamente, estas zonas caracterizam-se pela heterogeneidade, pela coexistência de tecidos e peças algo impositivas ao território e pouco relacionadas entre si. A forma rápida como se constrói nestas zonas periféricas em relação ao Centro Histórico resulta muitas vezes numa falta de carácter e de clareza de leitura (para não insistir na ideia de identidade).
Assim, a inserção de programas de natureza pública/colectiva apresenta uma oportunidade para referenciar estes territórios, clarificando-os e atribuindo uma entidade polarizadora.
Neste sentido, exige-se do CCM uma imagem clara e cativante (e não um mero somatório de programas), capaz de se assumir como uma referência.

Implantação e Organização Interna
(…) A parcela assume uma forma oblonga que se projecta na perpendicular à acentuada pendente do terreno.
Considerando estas condicionantes optou-se por articular o programa em altura (3 pisos) e numa forma (exterior) bastante compacta e limpa. A criação de um pátio no interior do edifício permite uma organização clara das diferentes partes do programa assim como um permanente contacto visual com o exterior. À austeridade exterior contrapõe-se uma organização interior que procura trabalhar as relações programáticas e espaciais de forma mais plástica e interessante, explorando-se situações de pé-direito duplo e fortes relações visuais entre as diferentes partes constituintes do CCM. A aparente simetria da planimetria de cada piso é trabalhada como um sistema bastante simples, com regras e excepções, adaptando os diferentes espaços à forma construída.





Linguagem e Materiais
Desde o início que a preocupação foi a de perceber como poderíamos relacionar uma peça desta dimensão com um terreno com uma pendente tão acentuada.
Após alguns estudos, e uma vez que também existe um limite para a implantação com uma forma rectangular oblonga, o conceito que mais consenso reuniu foi o de uma forma bastante forte, que parecesse sair do terreno e projectar-se para a cidade.
Tomadas as premissas da concepção arquitectónica do edifício, levou-se esta ideia de volume rasgado e escavado ao extremo:
- para a “pele” exterior, portanto todos os panos definidores das faces do volume, escolheu-se um tijolo burro negro, que acentua a geometria rigorosa do edifício mas que faz ao mesmo tempo um jogo de escalas, pela pequena dimensão de cada tijolo face aos enormes panos que constroem, concebendo uma textura interessante que se vai revelando à medida que nos aproximamos do edifício. (...)
Sintetizando, a atitude metodológica identifica a necessidade de intervir de forma a causar pouco impacto ambiental, utilizando nos arranjos exteriores um tipo de desenho e de materiais muito orgânicos; no edifício propriamente dito, o rigor e a depuração de materiais pretende transmitir uma ideia de uma forma que nasce da terra e se projecta para a cidade, com uma pele exterior mais abstracta e escura, que se vai desmaterializando para formas mais reconhecíveis pela escala humana e materiais mais claros e transparentes.

Initial Considerations

Project site is situated in what we usually designate as an urban area in transformation. Housing buildings are predominant, although there are other typologies, with a not very high density. Some recent urban operations – plots, new streets construction and articulation points – are indicators of the stated dynamic. Morphologically, these areas define itself by heterogeneity, by the coexistence of tissues and pieces somehow imposing to the territory and disconnected between themselves. The fast way of built in this kind of urban areas, when comparing with Historical Centre ends to result, most of the times, in a lack of character and clearness (to avoid the identity concept).
Therefore, inserting programs with public/collective nature represent an opportunity to establish a reference inl these territories, clarifying them and giving a polar entity.
In this sense, it is demanded to new building a clear and captivating image (and not a mere somatory of programs), able to assume itself as a reference.

Implantation and Internal Organization

(…) The terrain assumes a long shape, projecting itself in the perpendicular of the strong hill shaped site.
Considering these conditions we chose to articulate Program in height (3 floors) and with an exterior shape pretty compact and clean. The creation of a patio in the interior of the building allows a clear organization of the different parts of the Program, and also a permanent visual contact with the exterior. The interior organization counterweights the exterior austerity with a work on the spatial and programmatic relations in a more plastic and interesting way, exploring double-height situations and strong visual relations between the parts. The apparent symmetry of each floor is worked as a very simple system, with rules and exceptions, adapting the different spaces to the build form.

Language and Materials

Since the beginning the concern was to understand how could we could relate a piece of this dimension with a terrain with such a strong drop.
After some studies, and once we also have a limit to the implantation of the building with a long rectangular shape, the most consensual concept between us was one of a very strong shape, that seems to projects itself from the mountain and towards the city.
Considering the premises of the architectonic conception of the building, this idea of ripped and excavated volume was pushed to the limit:
- to the exterior 'skin', therefore the defining faces of the volume, we chose a black brick, that highlights the accurate geometry of the building but it establishes, at the same time, a scale game, between the small scale of each brick and the huge scale of each face that they build, conceiving an interesting texture that reveals itself as we approach the building. (…)
Synthesising, the methodologically attitude identifies the need of an intervention with low environmental impact, using in the exterior works an organic type of drawing and materials; in the building itself, the accuracy and material depuration pretends to transmit the idea of a shape being born from the ground and projecting itself towards the city, with a dark and abstract skin, that de-materializes into more recognizable forms to the human scale and lighter materials.